Percorrendo a corrida da privacidade

Introdução

Se você é igual a maioria das pessoas, você acabou aqui neste site porque percebeu que sua privacidade está sendo violada pelo Estado e pelas grandes empresas e agora quer fazer alguma coisa a respeito. Para fazer isso, você provavelmente recorreu a listas de recomendação como a de E-mail ou a do rankings de navegadores da web e mudou suas escolhas se baseando nessas listas. Mas é esse o caminho certo?

O que é privacidade?

A primeira pergunta que precisamos nos fazer é o que é de fato privacidade - ou falharemos na nossa busca para alcançá-la. Resumidamente, privacidade é o estado natural das pessoas não saberem onde você está, o que você está pensando ou fazendo. Apesar de os violadores tentarem distorcer o assunto - nós não nascemos com rastreadores de baixo de nossa pele. Na verdade, nossa biologia é projetada para privacidade - nós somos indivíduos com nossos próprios olhos, orelhas e cérebros, cujo conteúdo não é compartilhado com ninguém normalmente. Humanos têm uma necessidade intrínseca por privacidade:

Ralph Adolph e Daniel P. Kennedy, neurologistas na Universidade de Caltech nos Estados Unidos, descobriram que há uma estrutura nos nossos cérebros responsável por nos dizer os limites do nosso espaço pessoal. Essa estrutura é a amígdala, uma pequena região associada ao medo e ao instinto de sobrevivência.
Essa descoberta revela algo essencial. O cérebro mede os limites pessoais de cada indivíduo. É como um alarme pessoal que nos diz quando alguma coisa ou alguém está nos incomodando. Quando alguém está invadindo nossa privacidade ou violando nossa integridade, isso se transforma em uma ameaça ao nosso bem-estar.
Isso nos lembra que uma de nossas maiores fontes de ansiedade é quando nos sentimos mais "invadidos" todos os dias de todos os jeitos.

Portanto, o argumento de nada a esconder perde totalmente o ponto, porque a privacidade é uma necessidade biológica natural. O que nos leva ao nosso próximo ponto:

Como perdemos a nossa privacidade?

Como dito acima, nós perdemos-a quando nosso cérebro detecta uma outra pessoa (ou um grupo de pessoas) invadindo nosso espaço pessoal. Entretanto, isso funciona apenas para pessoas - nós passamos 99% do nosso tempo no planeta na selva, e é para isso que nosso cérebro está programado. Não há computadores na selva, afinal. Civilizações têm permitido violadores da privacidade esconderem-se atrás de tecnologias (como sistemas de segurança CCTV), o que evita o ativamento do nosso sistema de detecção de invasão biológico. Isso tudo tem a ver com alguma coisa com o título do artigo?Claro que sim:

Privacidade na era digital

Assim como a privacidade na selva se daria ao nos afastar das pessoas que invadem nosso espaço pessoal - privacidade digital funciona de forma semelhante, mas as pessoas são substituídas por um aparelho eletrônico. Apesar de os sistemas de segurança CCTV fazerem isso ficar fácil de se ver, esse dispositivo pode ser muito bem o computador que você usa todos os dias, seu cartão de crédito, sua impressora ou até sua geladeira inteligente. Nós estamos tão acostumados a uma vida cheia de aparelhos eletrônicos que esse simples ponto nos foge. Não pode haver perda de privacidade com uma vida livre aparelhos tech. O que é claro eu não estou recomendando - só queria mostrar a raíz dos problemas da privacidade. Obviamente, a quantidade de dados coletados se evitando todos os aparelhos eletrônicos seria zero - mas assim nós perderíamos todas as vantagens proporcionadas por estes aparelhos. Como podemos equilibrar isso?

Tecnologia versus privacidade

Um nube em privacidade quase sempre tenta substituir seus atuais violadores por outras versões que respeitem nossa privacidade. E, é claro, existem muitos provedores que estão felizes (ou fingem) em atender essa necessidade. Você ouviu que o Google está te espionando? Mozilla Firefox ao resgate (só que não)! Gmail? ProtonMail. Google Maps? Hmm, não estamos com muitas opções aqui... De qualquer forma, essa mesma pessoa em 30 anos estará se perguntando como substituir Google Parent, Google Cook, Google Home Designer, etc. Esse é o jeito certo? Nós estabelecemos que é impossível haver violações de privcidade sem invasores eletrônicos. Portanto, a forma de tomar o controle da sua privacidade é minimizar o tempo de uso desses aparelhos. Então, a pergunta certa a ser feita por um nube não é como troco esse serviço? mas eu realmente preciso disso?

O Google Maps foi inventado em 2005. Amazon Alexa - em 2014. Siri - 2011. Smartphones - nos anos 2000. E ainda hoje, muitas pessoas não conseguem imaginar uma vida sem esses. Mas há 20 anos, todos nós vivíamos muito bem sem eles, o que mudou? É óbvio que a tecnologia modifica a forma que a sociedade funciona (por exemplo, hoje há uma demanda maior por carros ou outros transportes, do que há poucas décadas atrás), mas muitos desses dispositivos podem ser facilmente deixados de lado - e até os "necessários" também podem com mais esforço. É o foco capitalista em novos e reluzentes aparelhos e a propaganda doentia que os deixa vivos; e o crescente sedentarismo das pessoas. Verdadeira privacidade, então, precisa começar a não ser dependente dos violadores ao invés de tentar troca-los, mude ou bloqueie-os.

Coisas que podemos desapegar

Agora que cortamos a maioria dos violadores, podemos focar naqueles que realmente precisamos - como mecanismos de busca, navegadores da web (apesar de que até esse você pode evitar ao fugir de sites ruins e fazendo download dos sites que você gosta para ler offline) aplicativos de comunicação (ei, sempre vai haver pombos correios...). Então vamos acabar com essa jornada de privacidade e aprender como escolher serviços que respitam sua privacidade para que você não tenha mais que recorrer a listas de recomendação (que estão sujeitas a suborno, fanatismo, pensamento de grupo, qualidade ruim de pesquisa, informações antigas etc):

Julgando provedores

Atualizado em agosto de 2020: eu estava revisando meus artigos recentemente, pensando o que eu queria fazer com cada um deles e melhorando eles. Depois eu percebi que eu estava indo em uma direção totalmente errada - ao invés de explicar como de fato escolher os provedores, eu estava falando sobre coisas inúteis e evitando o básico. Então deixe-me corrigir meu erro agora:

Requerimentos mínimos

Aqui está o que é absolutamente essencial que eu acho que todo provedor deveria ter para ser pelo menos considerado:

apenas com esses mínimos requerimentos, vemos que a maioria dos provedores E-mail estão desqualificados. A maioria dos mecanismos de busca falham no suporte para TOR. O Telegram inventa sua própria falha criptografia. Alguns VPNs não têm suporte para protocolos estabelecidos ou são até totalmente baseados em browsers (conhecidos também como VPN irreais). De qualquer forma, se você achar um provedor que passe todos os requerimentos, você ainda deve fazer uma investigação mais a fundo:

A política de privacidade

Aqui é onde o provedor diz o que ele faz com seus dados. Mesmo os maiores violadores dão essa informação de graça, pois (pelo menos em teoria) há repercussões legais para a mentira. Se um provedor não tem uma, eu a considero um grande sinal vermelho e provavelmente abandonaria o navio. O mesmo se estiver faltando informações necessárias (então poderia armazenar tudo pra sempre e você e você seria igualmente tolo). ATUALIZAÇÃO: eu não quero recomendar provedores aqui já que eu já fiz o suficiente em outro lugar - então veja isso para uma análise mais específica. Depois de ler a política de privacidade , você deveria saber pelo menos o básico do que seu provedor armazena e por quanto tempo. Em particular:

Qualquer provedor vai estar em um espectro entre uma política "sem registro" e uma de armazenamento de tudo pra sempre e compartilhamento disso como se fosse natal. Cabe a você escolher o nível de rastreamento que você está confortável. Mas para poder fazer isso, o provedor precisa deixar essa informação disponível nos seus termos - então elimine aqueles que não deixam. Mantenha em mente a duração também. Algumas formas mais brandas de rastreamento também podem ser aceitáveis se é apenas por um curto período. Se maior que 7 dias - entretanto - provavelmente é ordem de descartar também. Felizmente, há pelo menos alguns serviços que vão bastante bem de acordo com os critérios acima - leia o textos sobre email e aplicativos de busca para saber mais.

História do provedor

Às vezes, um provedor suporta tudo o que é essencial e também tem uma boa política de privacidade, mas ainda podem esconder cadáveres nos armários. Para fisgar esses, você precisa estudar a história desse provedor. Achar sinais vermelhos, pode ser tão fácil quanto visitar a página desse provedor as vezes - por exemplo, você pode descobrir sobre utisti mudando sua política de privacidade sobre não precisar de registros para 15 dias de registro ou StartPage sendo comprado por uma companhia de anúncios (arquivo) - é claro que eles não chamaram disso. Às vezes, no entanto, é preciso desencavar páginas arquivadas de 2007 para saber que o dono do DuckDuckGo costumava fazer operações de coleta de dados por alguns anos até vendê-la para uma companhia antiética e miraculosamente se tornar em um guru de privacidade. Com toda a minha experiência, eu posso falar que provedores nunca realmente se viram para o bem - se alguém não tinha a privacidade de usuário como prioridade desde o início, na melhor das hipóteses eles podem ter um nota razoável. Um jeito fácil de se manter informado é fazer da pesquisa em comunidades como a do Reddit privacy boards ou grupo de chat um hábito. Ou fazer uma inscrição em um news feed como Ghacks ou o TorrentFreak. Em qualquer comunidade focada em privacidade você vai encontrar diferentes pessoas que leem vários outros sites, então eles poderiam contar coisas que você nunca encontraria por conta própria – então eu acho que essa é a melhor forma de se manter informado.

Partes inúteis removidas, ainda em progresso eu acho

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